Qual é o destino do espírito daquele que é condenado ao inferno?

Escrito em 19/11/2021
Pe. Leandro Couto

O Catecismo da Igreja Católica ensina que a “pessoa humana, criada à imagem de Deus, é um ser ao mesmo tempo corporal e espiritual” (CIC 362).

Não há dúvida quanto ao significado de “corpo”. Já quanto à “alma” o Catecismo diz que ela “muitas vezes designa na Sagrada Escritura a vida humana ou a pessoa humana inteira. Mas designa também o que há de mais íntimo no homem e o que há nele de maior valor, aquilo que mais particularmente o faz ser imagem de Deus: ‘alma’ significa o princípio espiritual no homem” (CIC 363).

Seria correto, portanto, dizer que o homem é constituído de “corpo e alma”, porém, como explicar a afirmação de São Paulo que se referiu ao homem como “corpo, alma e espírito” (conf. 1 Ts 5,23)? Novamente é o Catecismo que fornece a resposta ao dizer que ‘espírito’ significa que o homem está ordenado desde a sua criação para seu fim sobrenatural, e que sua alma é capaz de ser elevada gratuitamente à comunhão com Deus” (CIC 367).

A natureza humana surge da união profunda entre o corpo e a alma. Essa junção é tão íntima que “se deve considerar a alma como forma do corpo”, ou seja, é por causa da “alma espiritual que o corpo constituído de matéria é um corpo humano e vivo; o espírito e a matéria no homem não são duas naturezas unidas, mas a união deles forma uma única natureza” (CIC 365). À tendência do homem (corpo e alma) para Deus é que forma o espírito.

Deste modo, se o espírito é a tendência do homem para a comunhão com Deus, o Inferno é justamente não participar dessa comunhão, ou seja, é a ausência de Deus. Satanás foi criado para a comunhão com Deus e quando resolveu se fechar para ela, se autodestruiu. Esta é a realidade do Inferno, a autodestruição.

O pecado cometido e cultivado durante a vida será cristalizado no Juízo definitivo. Aquilo que se foi durante a vida é aquilo que se decidirá ser por toda a eternidade. De maneira concreta, o espírito que escolhe o Inferno, escolhe a autodestruição, escolhe a morte eterna.

O destino do espírito está nas mãos do próprio homem. Vivendo na terra uma vida em comunhão com Deus, renunciando e resistindo ao pecado – passando pela porta estreita – no momento final verá a face de Deus. Ao contrário, se durante a vida terrena voltar às costas para Deus, recusando-se a comungar e a ter parte com Ele, a aceitar e alimentar o espírito, Deus lhe fará a vontade, aceitando sua decisão. E no final, o seu espírito será assim, arrancado, apartado de Deus por toda a eternidade.

A pessoa que morre em pecado mortal e não se arrependeu de seus pecados não alcansara a salvação. Veja o que São João Bosco nos ensina: “Sabe o quê quer dizer cair em pecado mortal? Quer dizer renunciar o filho de Deus e ser escravo de satanás”.

Quando pecamos mortalmente — isto é, quando nos afastamos gravemente da lei de Deus querendo e sabendo o que estamos fazendo —, é como se serrássemos o próprio galho em que estamos sentados: o pecado grave corta nosso relacionamento com o autor da vida, com o sustentador do nosso ser, com Aquele que nos concede todas as graças de que precisamos. De modo que — é o que sempre ensinou a Igreja e é o que repete Santa Catarina nesta carta — se morrêssemos nessa condição, nosso destino eterno seria o inferno: “Como seria triste a morte, se então te encontrasses em pecado mortal. Por um triste prazer, perderíamos um grande bem, que é a presença de Deus pela graça e, por fim, a vida eterna, que jamais acabará.” [1]

O catecismo da Igreja Católica nos ensina que:

Jesus fala, muitas vezes da “geena”, do “fogo que não se apaga”, reservado aos que se recusam, até o fim de sua vida, crer e converter-se, e no qual se pode perder, ao mesmo tempo, a alma e o corpo. Jesus anuncia em termos graves que “enviará seus anjos e eles retirarão do seu Reino toda causa do pecado e os que praticam o mal, depois, serão jogados na fornalha de fogo” (Mt 13,41-42), e que pronunciará a condenação: “Afastai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno!” (Mt 25,41).

O ensinamento da Igreja afirma a existência e a eternidade do inferno. As almas dos que morrem em estado de pecado mortal descem, imediatamente após a morte, aos infernos, onde sofrem as penas do inferno, “o fogo eterno”. A pena principal do inferno consiste na separação eterna de Deus, o único em quem o homem pode ter a vida e a felicidade para as quais foi criado e às quais aspira. (CIC 1034-1035)

Fonte:

Catecismo da Igreja Católica

Site Cleofas

Padre Paulo Ricardo

[1] Cf Santa Catarina de Sena, Carta 157, “Conselho aos jovens”. In: Cartas Completas (trad. de João Alves Basílio). São Paulo: Paulus: 2016, pp. 524-25.